Da autoestima ao agravamento das condições psicológicas: Como o isolamento social nos afeta

Em uma era considerada o “novo normal”, hábitos antigos têm de ser transformados e a relação consigo mesmo ganha um novo tom


Em 2020, uma nova situação tirou completamente as pessoas de suas zonas de conforto. A contaminação generalizada do COVID-19 pelo mundo fez com que governantes decretassem o isolamento social - algo inédito para muitos, que se viram obrigados a se adaptar a esta nova condição. Ainda sem previsão para acabar, este período gera diferentes emoções e as notícias diárias já conseguem constatar uma coisa: o velho mundo ficou para trás e de agora em diante viveremos um novo normal.


Desta forma, a insegurança se tornou um companheiro frequente das pessoas em confinamento, despertando ou intensificando velhos fantasmas. Ao realizarmos uma pesquisa com pessoas de diferentes idades, 53% delas afirmaram que se sentiram mais ansiosas do que o normal neste período em casa, sendo que 80% classificaram o momento como angustiante. No entanto, um detalhe que chama atenção nos dados coletados é o fato de que a impossibilidade de sair de casa por fatores maiores afeta muito mais a faixa etária dos 15 a 25 anos, enquanto pessoas acima dos 40 se dizem confortáveis com a situação.


De acordo com a psicóloga clínica Maria Ednalva, a condição psicológica de cada um está relacionada aos momentos que estavam vivendo anteriormente. “Os jovens sentem-se mais afetados pelas restrições de coisas que antes eram comuns na sua vida, eventos sociais sendo cancelados e sua incapacidade de encontrar amigos e familiares fora de casa, isso foge do seu cotidiano e com isso, sofrem mais com a solidão e tristeza”, explica a especialista.


Solidão a qual, a estudante Giuliana Pacerini, 20, diz influenciar na maneira como enxerga a si mesma. “A gente se sente muito sozinha e, logo, começam a passar coisas em nossa cabeça”, afirma ao identificar que em momentos como este as redes sociais podem se tornar um gatilho e causar um efeito ainda mais intenso de comparação. Para a estudante Nayara Rodriguez, 21, o efeito em sua autoestima tem sido o mesmo. “Eu tive mais tempo durante essa quarentena para me olhar no espelho e vi o quanto eu engordei. Eu era bem regrada com dieta e exercício, mas agora não sinto mais motivação. Tudo piorou quando eu via nas redes sociais meus amigos conseguindo”, relatou.


Maria Ednalva explica a relação da autoimagem em períodos em que as pessoas passam a ficar mais tempo em um espaço limitado. “O fato de se movimentarem menos, faz com que pensem mais sobre o corpo e, consequentemente, aumentem a preocupação com ele, o que pode gerar insatisfação corporal associada a pensamentos como raiva, nojo, desespero e atitudes disfuncionais por causa do corpo”.


Ainda segundo a pesquisa realizada pelo site Por Trás do Espelho, 44% das mulheres afirmaram que a insatisfação consigo mesma aumentou um pouco durante o período de isolamento social, já 35% delas classificaram que essa baixa da autoestima ocorreu de forma intensa. “O sexo feminino de uma maneira geral é muito vulnerável à aceitação das pressões sociais, econômicas e culturais associadas aos padrões estéticos. A sociedade rejeita, discrimina e reprova pessoas obesas. Diante desta situação muitas mulheres encontram-se insatisfeitas com seu corpo”, pontua a psicóloga. Desta forma, tanto os veículos midiáticos quanto as redes sociais acabam se tornando aliadas na depreciação da imagem da mulher real, alimentando a sensação de que elas tenham que buscar aceitação da sociedade.


Para diminuir o sentimento de ter a autopercepção alterada em momentos suscetíveis a maiores fragilidades, Maria Ednalva acredita na necessidade de trabalhar a autoconfiança. “É importante reconhecer o seu valor. Não é preciso estar dentro dos padrões estéticos e comportamentais ditados pela sociedade para se sentir bem”, e a especialista ainda continua, “É preciso ter noção do que você tem de você mesmo, e vai desde sua forma de pensar, de agir, até sua aparência física, sua confiabilidade e aceitação”, finaliza a psicóloga.


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